sábado, 24 de abril de 2010

Sentir

Sóbria, em todos os sentidos, eu não poderia negar o meu maior desejo agora. Eu não poderia machucar alguém, não é justo que eu machuque só porque fui machucada, a ferida arde por vezes mas está sarando aos poucos e, eu preciso ser feliz. Na verdade eu me sinto bem, acho que posso dizer até que estou feliz, não há nada me incomodando, exceto o fato de que as pessoas consigam se interessar tanto por mim. Eu não consigo me interessar, reciprocar podemos dizer.
Eu me embalei no meu encanto, sequei meu pranto de forma que me pus uma capa ao redor, proteção contra qualquer toque alheio. Não posso ser tocada e nem é porque não queira, é como se fosse uma defesa pessoal inevitável que criei, a capa não sai mais, colou, tornou-se parte de mim. Agora, mais que nunca eu queria ser tocada, eu queria sentir o que se apagou de forma tão brutal aqui dentro, acender todas as luzes para não brilhar sozinha nesse escuro que trago em torno do meu brilho, eu quero que brilhem comigo. Eu quero brilhar por dentro também, não quero ser uma capa, uma fantasia qualquer. Eu quero ser, eu quero fazer, brilhar e ver o brilho dos olhos de quem me olha.
Entre todos os dias confusos e nublados eu poderia ter desistido da luz, mas não...Eu escolho ser algo maior, melhor, me tornar igual seria indiferença demais. Minha apatia é momentânea, e não é em relação a tudo obviamente. Eu tenho observado dias lindos e estado com um sorriso no rosto que não me cabia antes, não quero mais preocupações, quero viver e deixar que tudo seja como tiver que ser. O mundo é muito mais do que a gente imagina, e a vida é sim perfeita.

terça-feira, 2 de março de 2010

"... não teve intervalo, chegou atropelando..."

É engraçado! Não procurei, não insisti, não forcei em nada, simplismente estou mais uma vez do jeito em que pareço gostar! Veio do lado em que menos esperava, da parte em que eu menos queria! Por que? por N motivos que tonariam a vida em uma guerra! No começo o medo mas uma vez me rodiava, na segunda bateu um desepero de esta entregando mais uma vez o meu coração a alguem, na terceira dúvidas...será que é feio? chato? nerd?... na quarta me entreguei, juro sem querer! Eu não queria se fosse pra confessar essa minha vida de solteira estava boa demais! Tudo bem que não bem o meu estilo ficar todo fds em baladas, beijar um outro, mais um e mais outro! Ta acontecendo de uma forma tão diferente, tão meiga, tão indecisa de ambas as partes, nenhum dos dois estão afim de mais uma armadilha do amor! Mas estamos vivendo, se juntando, se entregando! E que tudo seja belo, forte, intenso mesmo que seja escondido e se for pra assumir que seja bem explícito...eu mereço, ele merece, nós merecemos! Toda sorte, Todo amor, Todo mundo e pros outros o resto disso tudo!

"...Eu te proponho não dizer nada
Seguirmos juntos a mesma estrada
Que continua depois do amor
Ao amanhecer..."

(Roberto Carlos - Proposta)

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Agonia

O rosto espreme os olhos até que as lágrimas fujam deles, e então, depois de alguns minutos, completamente molhado, o rosto se satisfaz. Os braços se cruzam diante do peito, tentando mostrar toda indignação daquele corpo. A cabeça tomba para trás e os olhos se prendem no céu. As perguntas gritam, porém um lábio permanece pressionando o outro. As perguntas se espalham dentro de cada vaso sanguíneo; as dúvidas permanecem vivas.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Parada

 

Eu vivo no banheiro da estação molhando a nuca quando está calor. No meio de centenas de esperas que não são minhas mas me esquentam. A moça que vende bilhetes é minha mãe. O cara da catraca meu amor. Sempre muda o cara da catraca. Mas eles se parecem justamente porque sempre mudam e porque são apenas o cara da catraca. Meu pai vende coisas coloridas de brincar e de sujar a língua aqui em frente e as crianças se distraem e sobrevivem. Meus amigos são os do vagão de antes e de depois. Os mais amigos, agora, são sempre os que acabaram de chegar. Tem gente feia, gente bonita, gente assustada, gente com sono, gente no meio de gente. Eu só olho e tento tocar nessas sensações, mas nunca sou exatamente nenhuma delas porque há muitos anos eu não tinha tamanho para ser e assim acostumei.
Eu olho sempre pro relógio gigante que fica bem no centro do meu quarto. E sei que todo dia ele passa, sempre às cinco da tarde. O trem pra sempre. Eu corro junto, ao lado, por um tempo, mas canso já morrendo de rir. E fico feliz que não foi dessa vez. E fico feliz de ter chegado perto. Já senti como é o cheiro de dentro. Já experimentei sentar na janelinha com ele parado. Já me imaginei embaixo, esmagada. Em cima, surfando antes de pegar fogo. Sei todos os ângulos de ir, mas vivo no lugar de quem fica.
Estou na estação há tanto tempo. E sempre tem gente chegando e indo. E sempre tem amor e bala e dinheiro e cama e água e fins de tarde bonitos e brinquedos e catracas com a segurança de uma novidade de sempre. Em alguns momentos fica o equilíbrio terrível de nunca ir. Fica a dor terrível de todo mundo que foi. Fica a ansiedade terrível de todo mundo que tem pra chegar. Agora. Agora. A cada volta de uma piscada eu tenho minha esperança renovada. Mas nenhum desses silêncios chega perto do som que é viver ouvindo o mundo se locomovendo enquanto só tento enxergar de olhos bem abertos sem me mexer. Estar no centro do barulho nunca foi realmente uma solidão. A troca é tão bonita porque sorrio achando todos tão corajosos com seus ternos e pastas e pressas e chegadas e “que mais”. E eles sorriem de volta, me achando corajosa também em ficar. E só olhar. E poder amar esse trecho de vida deles ainda mais do que eles próprios que nem se percebem em trechos.
Eu vivo na estação porque peguei carinho pelas placas e sujeiras e as faxineiras cedinho tirando os estragos do mundo na minha casa de passagem. Acho tão bonita a sensação de estar no único lugar onde se pode estar com todos e esperar por mais um trecho de todos. Sei que não escolho nada, não sigo com ninguém, não conheço outras idades e lugares e gastrites e ventos.
Eu sou uma estação, é isso. Assim não dói além porque eu sei, desde o começo, que sou passagem. Então, vão, mas logo apita de novo. E é sempre movimentado, mesmo quando apagam as luzes e a vida dos outros descansam da minha parada. Existe o movimento que fica atrasado no ar e durmo embalada por tanta coisa que quase parece coragem.
Até que hoje, não sei se porque enjoei dessa casa da infância, não sei se porque às vezes o amor é mesmo mais forte que mil anos de segurança. Eu pisei tremendo na escada e o homem da catraca era tão diferente de todo mundo e, pela primeira vez, as placas e mulheres do caixa e bilhetes e pessoas e brinquedos coloridos e apitos e fins de tarde e moças da limpeza. Ninguém tentou me agarrar porque era como se o mundo dissesse “acho que são cinco da tarde e uma hora você precisa ser mulher”. E eu pedi socorro. Eu não sei sair daqui mas quero ir com você. Eu tenho cinco anos de idade mas quero ir com você. Tudo me dói tanto e eu tenho tanto medo mas tudo bem, vamos lá. Na próxima parada só me lembra que é bom eu fazer xixi e comer alguma coisa porque tô te achando tão bonito que talvez eu esqueça.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

S.a.u.d.a.d.e

A saudade não se mede pelo tempo da ausência, mas pela intensidade da presença.

No discurso amoroso, ela se esconde em letras e canções de uma determinada época. aparece quando cruzo com alguém que usa o mesmo perfume. habita pequenos fatos cotidianos, que geralmente passariam despercebidos, mas com você faria todo sentido.

Quando acomete, tem urgência. é o coração querendo retornar. para lugares que talvez nem existam mais. para planos que desistimos. ou que desistiram da gente.

Mas continuo elaborando novos planos e crio mundos com minhas expectativas. a saudade é a distância entre eu e como eu gostaria de estar.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Curinga


Devo realmente ser estranha, introspectiva e totalmente indiferente a tudo.
Recentemente me ocorreu algo que se fosse uma pessoa "normal" sofreria incontrolávelmente, porém, na situação não fiz nada a não ser ficar preocupada.
O que mais me chamou a atenção é que eu nem ao menos senti vontade de chorar, não, de forma alguma. Traí meus sentimentos, traí minha emoção. Tenho a pele de metal, com toda certeza.
Por mais que as palavras tenham sido duras, algumas verdades outras mais mentiras, o primeiro impulso de uma pessoas "normal" seria revidar. Eu nem ao menos fiz isto. Apenas escutei, como se escuta uma conversa um pouco mais alterada. Confesso que soltei sim algumas palavras, mas aposto que foram palavras ao vento, palavras ditas apenas a mim, mas no calor da situação, quem estava por perto ouviu. Palavras sem sentido, sem nexo algum na situação ou não.
Eu gosto de roupas escuras, da cultura undeground, sou meio skin, mas isto não quer dizer que eu sou insensível.
Devo ter me acustumado não só com a situação, mas com o fato de sofrer e de que as coisas não são nada como queremos, que criei uma certa barreira para as dores.
Em uma roda de conversa com amigos de empresa, surgiu o comentário de que sou anti-social pelo simples fato de ser na minha. Anti-social somente por isto? Nada a ver, mas não contesto, as pessoas que dizem isto tem um modo e um estilo de vida totalmente oposto ao meu. E tentar entender? Para que? Tenho meu mundo e na ponte só passa quem eu desejar e quem for esperto o bastante para descobrir o segredo.
Eu não tenho medo das pessoas saberem quem eu realmente sou, mas não quero demonstrar. Não vejo necessidade, entende?
Não sou duas caras, tenho caráter, se estiver errada assumo meu erro, mas o que eu puder não dizer, eu não digo até que me arranquem de dentro.
Devo ser mais um curinga em jogo de baralho, onde as pessoas são as outras cartas.
Mas enquanto isto, eu vivo na minha, na paz e de boa. A hora que o vulcão entrar em erupção, entrou, e não haverá como escapar e dizer que não estava ciente da pressão.
Eu sou um CURINGA!
O curinga sempre está feliz, nunca triste e por mais que as dores lhe abatem, ele sempre tem um sorriso no rosto. e sabe disfarçar a dor e eu també,.
Na família das cartas o curinga é sózinho, não pertence a nenhum naipe e são poucos os jogos que é necessário o uso do curinga. Sou mesmo um curinga se analisarem.
Não faço parte de nenhum naipe, de nenhum grupo, não sou útil em muitas coisas, mas em outras sim, naquelas específicas.
Aha, gostei dessa, sou um curinga!
E me esconderei na sombra de mim mesma, até quando der, até quando um vento muito forte ou até quando Deus, não me agitar.

domingo, 24 de janeiro de 2010