sábado, 29 de maio de 2010
Sem título
Não dói, mas incomoda...
E não me sai da cabeça ...
Ou melhor, não me sai do peito.
É vazio, é saudade, é sentimento, é vontade...
É tristeza?
Talvez... Parece...
Mas tem horas que parece não ser...
sexta-feira, 28 de maio de 2010
Amor Em Condicional
A sociedade prende-se no clichê: Amor tem que ser livre! Vemos nos sites de relacionamentos a opção: "Relacionamento aberto" e encaramos isso como livres de qualquer responsabilidade.Mudam-se os valores, mudam-se as causas, enfim, muda-se.
Aquela dorzinha de ansiedade do: "Será que ele vai ligar?" já entrou em extinção.
A filha preparar o pai uma semana que o namorado vem pedi-la em namoro no final de semana? Coisa de novela de época.
E assim vamos nos inclinando em uma era "Em Condicional"...
Amamos por encomenda.
Sonhamos por encomenda.
É como entrar em uma loja, escolher as roupas, levá-las para casa, experimentar uma a uma e depois escolher, a que me caiu bem, a que mais me agradou, a que me deixou mais magra... E o que sobrou volta paras prateleiras da loja, até outra vir e fazer a mesma coisa, um ciclo.
Não concorda? Segue o raciocínio:
Sábado, você escolhe a balada como quem escolhe uma loja, seleciona os amigos como quem seleciona que tipo de roupa comprar. Dá um olhada geral, como quando passa os olhos pelos modelos e cores. E aos poucos vai selecionando, aquele com ar de intelectual, o da tatuagem, o com o copo na mão... e sai a caça.
Leva para casa, nem que seja na memória, e durante um tempo, seleciona o que mais lhe agrada.
O fulano mandou flores para você. E daí? Nunca reparou que ele só usa sapatos marrom?
O outro lhe falou palavras bonitas. Mas você não reparou como é magrelo? Pareço enorme perto dele.
Criamos amores em condicional, descartamos, acatamos...
E onde vamos parar, pergunto-me frente ao espelho.
E assim, escolhemos nosso amor em condicional para amarmos incondicionalmente, pelo menos até surgir um novo modelo que não pode faltar no guarda-roupas.
Ainda acredito no amor como peça única, aquela relíquia guardada a sete-chaves, desenhada única e exclusivamente. Mas é tão raro isso...
(incompleto)
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Bobagens!
Não sei o que aconteceu com a gente, o nosso desprezo sempre foi substituído por uma amizade excêntrica. E, hoje, nosso desprezo não é mais engraçado, é, no mínimo, formal. E formalidade nunca teve a nossa cara. Não sei se sinto falta. Aliás, uma pessoa importante faz falta sim, é só que estou acostumada com esse entre e sai de pessoas importantes, que o sentir falta parou de ser algo extraordinário e virou uma coisa natural na minha vida. Eu queria ter sido melhor, mas sei que não seria, porque como você diz, eu prefiro contar o que estou sentindo pra um desconhecido do que pra um amigo que está do meu lado. E você tem razão. Não conseguiria viver com alguém que me conhecesse tão bem, por medo talvez, não sei. Acho que vou mudar isso, mas você não me pegou nessa transição e nem te dei essa chance. O que me deixa aborrecida foi o modo como isso terminou, um modo bobo. "Parem de bobagem", diziam os outros. E eu realmente queria parar, mas algo me impedia. Orgulho, talvez. Nunca achei que seria uma pessoa orgulhosa, mas minhas atitudes me mostram o contrário. É até engraçado como que para alguns eu sou o oposto do que você acha de mim, e o mais engraçado ainda é saber que todos têm razão, eu sou isso tudo mesmo, essa mistura de atitudes e sentimentos que me definem. Você ficou com a pior parte, aliás, viu, porquê ninguém é feito de partes. Muitas vezes confundiu minha educação com falsidade, mas é que até hoje não aprendi a virar o rosto pra ninguém, e nem quero isso. Não gostar de alguém nunca significou destratação pra mim. Isso não está em mim. E nem nego quando você diz que confiar, confiar mesmo, só confio em pouquíssimas pessoas, e que elas talvez nem desconfiem disso. E das que acham que eu confio, só dou uma casquinha do que realmente sou. Aliás, não é questão de ser e sim de sentir. Eu sou assim. E se meu jeito não foi o que você esperava ou queria, eu sinto muito. Mas eu estou melhorando, ou piorando pra alguns, é que querer melhorar a cada dia também faz parte de mim, e talvez a minha definição de melhorar não seja a mesma que a sua, mas a vida anda me dando meios para que isso aconteça e eu estou tentando não desperdiçá-los, apesar de desperdiçar. Eu espero que você não os disperdice, que seja até melhor que eu. Te desejo uma fé enorme, principalmente em você, porque eu tenho. Nem precisa gostar de mim, só precisa saber que teve um dia que alguém te quis muito bem, mas não soube demonstrar isso.
Fique bem!
Fique bem!
sábado, 24 de abril de 2010
Sentir
Sóbria, em todos os sentidos, eu não poderia negar o meu maior desejo agora. Eu não poderia machucar alguém, não é justo que eu machuque só porque fui machucada, a ferida arde por vezes mas está sarando aos poucos e, eu preciso ser feliz. Na verdade eu me sinto bem, acho que posso dizer até que estou feliz, não há nada me incomodando, exceto o fato de que as pessoas consigam se interessar tanto por mim. Eu não consigo me interessar, reciprocar podemos dizer.
Eu me embalei no meu encanto, sequei meu pranto de forma que me pus uma capa ao redor, proteção contra qualquer toque alheio. Não posso ser tocada e nem é porque não queira, é como se fosse uma defesa pessoal inevitável que criei, a capa não sai mais, colou, tornou-se parte de mim. Agora, mais que nunca eu queria ser tocada, eu queria sentir o que se apagou de forma tão brutal aqui dentro, acender todas as luzes para não brilhar sozinha nesse escuro que trago em torno do meu brilho, eu quero que brilhem comigo. Eu quero brilhar por dentro também, não quero ser uma capa, uma fantasia qualquer. Eu quero ser, eu quero fazer, brilhar e ver o brilho dos olhos de quem me olha.
Entre todos os dias confusos e nublados eu poderia ter desistido da luz, mas não...Eu escolho ser algo maior, melhor, me tornar igual seria indiferença demais. Minha apatia é momentânea, e não é em relação a tudo obviamente. Eu tenho observado dias lindos e estado com um sorriso no rosto que não me cabia antes, não quero mais preocupações, quero viver e deixar que tudo seja como tiver que ser. O mundo é muito mais do que a gente imagina, e a vida é sim perfeita.
Entre todos os dias confusos e nublados eu poderia ter desistido da luz, mas não...Eu escolho ser algo maior, melhor, me tornar igual seria indiferença demais. Minha apatia é momentânea, e não é em relação a tudo obviamente. Eu tenho observado dias lindos e estado com um sorriso no rosto que não me cabia antes, não quero mais preocupações, quero viver e deixar que tudo seja como tiver que ser. O mundo é muito mais do que a gente imagina, e a vida é sim perfeita.
terça-feira, 2 de março de 2010
"... não teve intervalo, chegou atropelando..."
É engraçado! Não procurei, não insisti, não forcei em nada, simplismente estou mais uma vez do jeito em que pareço gostar! Veio do lado em que menos esperava, da parte em que eu menos queria! Por que? por N motivos que tonariam a vida em uma guerra! No começo o medo mas uma vez me rodiava, na segunda bateu um desepero de esta entregando mais uma vez o meu coração a alguem, na terceira dúvidas...será que é feio? chato? nerd?... na quarta me entreguei, juro sem querer! Eu não queria se fosse pra confessar essa minha vida de solteira estava boa demais! Tudo bem que não bem o meu estilo ficar todo fds em baladas, beijar um outro, mais um e mais outro! Ta acontecendo de uma forma tão diferente, tão meiga, tão indecisa de ambas as partes, nenhum dos dois estão afim de mais uma armadilha do amor! Mas estamos vivendo, se juntando, se entregando! E que tudo seja belo, forte, intenso mesmo que seja escondido e se for pra assumir que seja bem explícito...eu mereço, ele merece, nós merecemos! Toda sorte, Todo amor, Todo mundo e pros outros o resto disso tudo!
"...Eu te proponho não dizer nada
Seguirmos juntos a mesma estrada
Que continua depois do amor
Ao amanhecer..."
(Roberto Carlos - Proposta)
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Agonia
O rosto espreme os olhos até que as lágrimas fujam deles, e então, depois de alguns minutos, completamente molhado, o rosto se satisfaz. Os braços se cruzam diante do peito, tentando mostrar toda indignação daquele corpo. A cabeça tomba para trás e os olhos se prendem no céu. As perguntas gritam, porém um lábio permanece pressionando o outro. As perguntas se espalham dentro de cada vaso sanguíneo; as dúvidas permanecem vivas.
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Parada
Eu vivo no banheiro da estação molhando a nuca quando está calor. No meio de centenas de esperas que não são minhas mas me esquentam. A moça que vende bilhetes é minha mãe. O cara da catraca meu amor. Sempre muda o cara da catraca. Mas eles se parecem justamente porque sempre mudam e porque são apenas o cara da catraca. Meu pai vende coisas coloridas de brincar e de sujar a língua aqui em frente e as crianças se distraem e sobrevivem. Meus amigos são os do vagão de antes e de depois. Os mais amigos, agora, são sempre os que acabaram de chegar. Tem gente feia, gente bonita, gente assustada, gente com sono, gente no meio de gente. Eu só olho e tento tocar nessas sensações, mas nunca sou exatamente nenhuma delas porque há muitos anos eu não tinha tamanho para ser e assim acostumei.
Eu olho sempre pro relógio gigante que fica bem no centro do meu quarto. E sei que todo dia ele passa, sempre às cinco da tarde. O trem pra sempre. Eu corro junto, ao lado, por um tempo, mas canso já morrendo de rir. E fico feliz que não foi dessa vez. E fico feliz de ter chegado perto. Já senti como é o cheiro de dentro. Já experimentei sentar na janelinha com ele parado. Já me imaginei embaixo, esmagada. Em cima, surfando antes de pegar fogo. Sei todos os ângulos de ir, mas vivo no lugar de quem fica.
Estou na estação há tanto tempo. E sempre tem gente chegando e indo. E sempre tem amor e bala e dinheiro e cama e água e fins de tarde bonitos e brinquedos e catracas com a segurança de uma novidade de sempre. Em alguns momentos fica o equilíbrio terrível de nunca ir. Fica a dor terrível de todo mundo que foi. Fica a ansiedade terrível de todo mundo que tem pra chegar. Agora. Agora. A cada volta de uma piscada eu tenho minha esperança renovada. Mas nenhum desses silêncios chega perto do som que é viver ouvindo o mundo se locomovendo enquanto só tento enxergar de olhos bem abertos sem me mexer. Estar no centro do barulho nunca foi realmente uma solidão. A troca é tão bonita porque sorrio achando todos tão corajosos com seus ternos e pastas e pressas e chegadas e “que mais”. E eles sorriem de volta, me achando corajosa também em ficar. E só olhar. E poder amar esse trecho de vida deles ainda mais do que eles próprios que nem se percebem em trechos.
Eu vivo na estação porque peguei carinho pelas placas e sujeiras e as faxineiras cedinho tirando os estragos do mundo na minha casa de passagem. Acho tão bonita a sensação de estar no único lugar onde se pode estar com todos e esperar por mais um trecho de todos. Sei que não escolho nada, não sigo com ninguém, não conheço outras idades e lugares e gastrites e ventos.
Eu sou uma estação, é isso. Assim não dói além porque eu sei, desde o começo, que sou passagem. Então, vão, mas logo apita de novo. E é sempre movimentado, mesmo quando apagam as luzes e a vida dos outros descansam da minha parada. Existe o movimento que fica atrasado no ar e durmo embalada por tanta coisa que quase parece coragem.
Até que hoje, não sei se porque enjoei dessa casa da infância, não sei se porque às vezes o amor é mesmo mais forte que mil anos de segurança. Eu pisei tremendo na escada e o homem da catraca era tão diferente de todo mundo e, pela primeira vez, as placas e mulheres do caixa e bilhetes e pessoas e brinquedos coloridos e apitos e fins de tarde e moças da limpeza. Ninguém tentou me agarrar porque era como se o mundo dissesse “acho que são cinco da tarde e uma hora você precisa ser mulher”. E eu pedi socorro. Eu não sei sair daqui mas quero ir com você. Eu tenho cinco anos de idade mas quero ir com você. Tudo me dói tanto e eu tenho tanto medo mas tudo bem, vamos lá. Na próxima parada só me lembra que é bom eu fazer xixi e comer alguma coisa porque tô te achando tão bonito que talvez eu esqueça.
Eu olho sempre pro relógio gigante que fica bem no centro do meu quarto. E sei que todo dia ele passa, sempre às cinco da tarde. O trem pra sempre. Eu corro junto, ao lado, por um tempo, mas canso já morrendo de rir. E fico feliz que não foi dessa vez. E fico feliz de ter chegado perto. Já senti como é o cheiro de dentro. Já experimentei sentar na janelinha com ele parado. Já me imaginei embaixo, esmagada. Em cima, surfando antes de pegar fogo. Sei todos os ângulos de ir, mas vivo no lugar de quem fica.
Estou na estação há tanto tempo. E sempre tem gente chegando e indo. E sempre tem amor e bala e dinheiro e cama e água e fins de tarde bonitos e brinquedos e catracas com a segurança de uma novidade de sempre. Em alguns momentos fica o equilíbrio terrível de nunca ir. Fica a dor terrível de todo mundo que foi. Fica a ansiedade terrível de todo mundo que tem pra chegar. Agora. Agora. A cada volta de uma piscada eu tenho minha esperança renovada. Mas nenhum desses silêncios chega perto do som que é viver ouvindo o mundo se locomovendo enquanto só tento enxergar de olhos bem abertos sem me mexer. Estar no centro do barulho nunca foi realmente uma solidão. A troca é tão bonita porque sorrio achando todos tão corajosos com seus ternos e pastas e pressas e chegadas e “que mais”. E eles sorriem de volta, me achando corajosa também em ficar. E só olhar. E poder amar esse trecho de vida deles ainda mais do que eles próprios que nem se percebem em trechos.
Eu vivo na estação porque peguei carinho pelas placas e sujeiras e as faxineiras cedinho tirando os estragos do mundo na minha casa de passagem. Acho tão bonita a sensação de estar no único lugar onde se pode estar com todos e esperar por mais um trecho de todos. Sei que não escolho nada, não sigo com ninguém, não conheço outras idades e lugares e gastrites e ventos.
Eu sou uma estação, é isso. Assim não dói além porque eu sei, desde o começo, que sou passagem. Então, vão, mas logo apita de novo. E é sempre movimentado, mesmo quando apagam as luzes e a vida dos outros descansam da minha parada. Existe o movimento que fica atrasado no ar e durmo embalada por tanta coisa que quase parece coragem.
Até que hoje, não sei se porque enjoei dessa casa da infância, não sei se porque às vezes o amor é mesmo mais forte que mil anos de segurança. Eu pisei tremendo na escada e o homem da catraca era tão diferente de todo mundo e, pela primeira vez, as placas e mulheres do caixa e bilhetes e pessoas e brinquedos coloridos e apitos e fins de tarde e moças da limpeza. Ninguém tentou me agarrar porque era como se o mundo dissesse “acho que são cinco da tarde e uma hora você precisa ser mulher”. E eu pedi socorro. Eu não sei sair daqui mas quero ir com você. Eu tenho cinco anos de idade mas quero ir com você. Tudo me dói tanto e eu tenho tanto medo mas tudo bem, vamos lá. Na próxima parada só me lembra que é bom eu fazer xixi e comer alguma coisa porque tô te achando tão bonito que talvez eu esqueça.
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