sexta-feira, 28 de maio de 2010

Amor Em Condicional

A sociedade prende-se no clichê: Amor tem que ser livre! Vemos nos sites de relacionamentos a opção: "Relacionamento aberto" e encaramos isso como livres de qualquer responsabilidade.


Mudam-se os valores, mudam-se as causas, enfim, muda-se.

Aquela dorzinha de ansiedade do: "Será que ele vai ligar?" já entrou em extinção.


A filha preparar o pai uma semana que o namorado vem pedi-la em namoro no final de semana? Coisa de novela de época.


E assim vamos nos inclinando em uma era "Em Condicional"...


Amamos por encomenda.


Sonhamos por encomenda.


É como entrar em uma loja, escolher as roupas, levá-las para casa, experimentar uma a uma e depois escolher, a que me caiu bem, a que mais me agradou, a que me deixou mais magra... E o que sobrou volta paras prateleiras da loja, até outra vir e fazer a mesma coisa, um ciclo.


Não concorda? Segue o raciocínio:


Sábado, você escolhe a balada como quem escolhe uma loja, seleciona os amigos como quem seleciona que tipo de roupa comprar. Dá um olhada geral, como quando passa os olhos pelos modelos e cores. E aos poucos vai selecionando, aquele com ar de intelectual, o da tatuagem, o com o copo na mão... e sai a caça.


Leva para casa, nem que seja na memória, e durante um tempo, seleciona o que mais lhe agrada.


O fulano mandou flores para você. E daí? Nunca reparou que ele só usa sapatos marrom?


O outro lhe falou palavras bonitas. Mas você não reparou como é magrelo? Pareço enorme perto dele.


Criamos amores em condicional, descartamos, acatamos...


E onde vamos parar, pergunto-me frente ao espelho.


E assim, escolhemos nosso amor em condicional para amarmos incondicionalmente, pelo menos até surgir um novo modelo que não pode faltar no guarda-roupas.


Ainda acredito no amor como peça única, aquela relíquia guardada a sete-chaves, desenhada única e exclusivamente. Mas é tão raro isso...
 
(incompleto)

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